Emilio Sant'Anna
A partir de terça-feira, os alimentos industrializados devem sair da fábrica com a informação, no rótulo, da presença de gordura trans, a gordura vegetal hidrogenada (veja ao lado), e da mudança de 2,5 mil quilocalorias para 2 mil quilocalorias no valor calórico de referência diária. As alterações no rótulo incluem ainda a obrigatoriedade de os fabricantes acrescentarem medidas caseiras, como xícara ou colher, às informações sobre o valor nutricional, hoje expressos em gramas, miligramas ou mililitros.
As novidades fazem parte da Resolução 360 (RDC 360) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Até o final do ano, as vigilâncias sanitárias dos Estados e municípios apenas notificarão os infratores. A partir de janeiro de 2007, poderão apreender os produtos e aplicar multas que variam de R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, de acordo com a infração e o tamanho do estabelecimento.
A resolução segue uma tendência que se fortalece no Brasil e em outros países, como os EUA. A gordura trans é uma das grandes causadoras das doenças cardiovasculares.
O cardiologista Francisco Fonseca, vice-presidente da Sociedade Latino-Americana de Arteriosclerose, afirma que as dificuldades de prevenção a essas doenças estão relacionadas a fatores econômicos.
Enquanto nos países desenvolvidos a perspectiva é de diminuição de mortes por problemas cardiovasculares, a situação se inverte em países como o Brasil. "Em 1990 morreram 5 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento. Em 2020, serão 20 milhões", diz.
Uma das etapas da conscientização sobre a alimentação saudável deveria ocorrer desde a infância. É o que os especialistas chamam de efeito trilha. "Em 80% dos casos, os hábitos alimentares do adulto vêm da infância", afirma Fonseca.
REFERÊNCIA DIÁRIA
A decisão de alterar o valor calórico de referência diária de 2,5 mil quilocalorias para 2 mil segue uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). "É uma medida importante, mas deve-se tomar cuidado pois a necessidade diária de uma pessoa pode ser maior do que 2 mil quilocalorias", alerta a nutricionista da Unifesp Anita Sachs.
De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA), grande parte dos produtos já está em acordo com a resolução. A rotulagem nutricional se tornou obrigatória em 2001 e é seguida em apenas outros nove países: EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Israel, Malásia, Paraguai, Argentina e Uruguai.
SUPERMERCADOS
Produtos como pães de forma, doces e biscoitos produzidos e embalados em supermercados deverão conter as mesmas informações dos produtos industrializados.
O problema é que os pequenos estabelecimentos alegam não ter recursos técnicos para emitir rótulos com as novas normas da Anvisa. Portanto, a troca das balanças será inevitável.
A Associação Brasileira dos Supermercados (Abras)prevê dificuldades para esses pequenos supermercados - 95% dos 50 mil estabelecimentos no País . "As balanças ainda são caras para esses comerciantes", diz João Carlos de Oliveira, presidente da Abras.
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